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Os trs J's
Ter�a-feira, 27 de Dezembro de 2016 Enviar por e-mail Versão para Impressão acessos
2025
 
Ele um adolescente como muitos. Tem 15 anos, mora em Mogi das Cruzes, inteligente, comunicativo, antenado com a tecnologia, gosta de futebol e de Carnaval. Como alguns, tem um irmo chamado Johnny. Como poucos, tem um nome incomum. Como raros, algum sem ascendncia nipnica que ganhou um nome japons. Como s ele, personifica uma homenagem que cala fundo na minha alma. Chama-se Junji Antunes de Almeida Lopes.

Junji filho de Alessandra Antunes de Almeida e de Joo Soares Lopes. Nasceu no dia da Independncia do Brasil de 2001. Era o ano de estreia da minha primeira gesto como prefeito de Mogi das Cruzes. O que muita gente no sabe sobre a histria singular do adolescente o tanto de vida pulsante na relao entre mim e seu pai. Joo meu amigo-irmo, meu parceiro de jornada, companheiro de todas as horas, fiel escudeiro, meu anjo negro, como costumo dizer pelo que ele representa na minha prpria histria e em aluso a sua ascendncia africana.

Joo trabalha comigo h 25 anos. S por isso j mereceria o Nobel da Paz. Quem me conhece sabe o quanto sou exigente, minucioso, perfeccionista e tudo mais que define uma pessoa difcil de lidar. Era pior ainda de sculo atrs. Ele entrou na minha histria em 1995 para ser motorista na equipe do meu gabinete na Assembleia Legislativa de So Paulo. Exercia o segundo mandato como deputado estadual. De cara, gostei do rapaz simples e alto astral, com sorriso largo e sempre solcito. De quebra, tinha na bagagem a experincia de haver desempenhado a mesma funo para o ex-governador paulista Paulo Egydio Martins.

O que ningum imaginava era a proximidade que se instalaria entre ns. Juntos, percorremos cerca de 500 cidades do Estado, ao longo dos seis dos dez anos em que atuei como deputado estadual. Essas viagens eram corriqueiras por conta da minha estreita relao com a agricultura. De Presidente Prudente a Votuporanga, de Ribeiro Preto a Tupi Paulista, l amos ns por estradas boas e ruins, sob sol ou tempestade. Dificilmente, ficvamos em hotis. Quase sempre, ramos hospedados na casa de amigos.

Embora Joo seja de um profissionalismo irretocvel, nossa relao nunca ficou restrita a de patro e funcionrio. Em pouco tempo, ele j havia sido acolhido como membro da minha famlia. amado, indistintamente, por todos. Desde a Elza at os meus netos. Joo assim. Impossvel no am-lo! Encerramos o ciclo no Legislativo paulista. Ele continuou como meu motorista na Prefeitura e ainda . L, tinha a misso adicional de identificar problemas, como buracos e vazamentos de gua ou esgoto. Como dirigia e no podia anotar, gravava aquilo que constatava. Os udios eram encaminhados para providncias dos setores responsveis. Ele fazia isso no como encargo, mas com o prazer de quem ajuda o amigo a administrar melhor a Cidade.

Foi o Joo quem me brindou com um dos momentos mais comoventes dos meus 76 anos de vida. J o havia parabenizado pela chegada do filho. Ele no me contou nada. Mais tarde, entrou na minha sala trazendo a certido de nascimento. Quando vi o nome do registro, no contive as lgrimas. At hoje no encontro palavras para agradecer ao Joo e Alessandra. S pessoas muito, muito especiais, tm a grandeza de esprito para uma homenagem to valiosa!

Se o meu nome fosse menos incomum ou, pelo menos, no fosse nipnico, seria mais fcil. Fato que me sinto honrado ao extremo com meu jovem xar. Ele representa um manifesto de amizade e de amor. Um dia, espero ser digno de tamanha considerao!

Escrevo essa linda histria como testemunho de que os anjos existem. E eles podem estar bem mais prximos do que se imagina. Neste ano que se inicia, desejo que vocs tambm encontrem, reconheam e valorizem seus anjos. So eles que nos amparam, nos protegem, nos defendem e nos guiam tambm nos momentos mais difceis. So eles que nos estendem a mo quando outras se esconderam. So eles que nos acendem a luz quando todas as outras se apagaram. So eles que entoam uma cano quando o mundo se cala. So eles que dizem presente quando tudo ausncia. So eles a prova cotidiana do amor de Deus por ns. Joo um dos meus anjos. Juntos, somos os trs Js: Joo, o pai; Junji, o filho; e Junji eu.
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